Menino autista de 6 anos desiste de brinquedo para comprar cadeira de rodas para avó

Miguel juntou moedas em cofrinho improvisado

Por Redação 13/10/2019 - 19:00 hs
Foto: Éricka Pereira/ Arquivo pessoal
Menino autista de 6 anos desiste de brinquedo para comprar cadeira de rodas para avó
A avó de Miguel, Maria de Lourdes, recebeu a cadeira de rodas que precisa através de uma doação

Miguel Arcanjo, de 6 anos, juntou moedas em cofrinho improvisado que seria para comprar uma réplica do super-herói preferido dele, o Homem Aranha. Pais e avó se surpreenderam com decisão da criança.

Na imaginação de Miguel Arcanjo Santos de Medeiros, de 6 anos, funciona uma fábrica de sonhos. O combustível para o maquinário dela é a simplicidade de alguém que aprendeu cedo o sentido da palavra generosidade.

O menino, diagnosticado com autismo por volta dos três anos de idade, queria um boneco do herói preferido, o Homem Aranha. Mas, abriu mão das moedas economizadas por dez meses para comprar uma cadeira de rodas para a “Vó Lindinha”, como é carinhosamente chamada por ele.

A idosa mora em João Pessoa, capital da Paraíba, mas o neto e os pais se mudaram para Alagoa Grande, cidade do Brejo paraibano, em busca de uma rotina mais tranquila.

Brincadeira de criança não foi algo tão sério para a família de Miguel. A mãe dele, a dona de casa Éricka Rúvia Pereira dos Santos, de 33 anos, contou que sugeriu ao filho que juntasse dinheiro para que ele não consumisse doces, já que tem diabetes.

Já o pai dele, o auxiliar de pedreiro Severino Antônio, de 34 anos, confeccionou um cofrinho feito com um pote de creme para pentear cabelos, que serviu de incentivo para a pequena poupança.

No dia de abrir o cofre, o garoto surpreendeu a família inteira. Ele contou que as economias que fez teriam um novo destino. O momento foi registrado em um vídeo gravado pela mãe dele.

Com a inocência de uma criança, ele disse que com a quantia arrecadada compraria uma cadeira de rodas para a avó materna, a pensionista Maria de Lourdes Pereira, de 72 anos. Filho único, ele é o orgulho da mãe.


“Eu chorei demais. Se uma mãe já se orgulha de ter um filho, imagine um que tenha um coração desse. Não tenho palavras. Ele sempre foi assim, se tem um brinquedo não brinca sozinho, é tudo dele e dos amiguinhos”, contou Éricka.

Família humilde

A família de Miguel mora em uma casa simples. Eles vivem com a renda que é fruto do trabalho do pai do garoto, em média, um salário mínimo por mês. Miguel trata o autismo, a diabetes e a cardiopatia no Sistema Único de Saúde (SUS) e estuda em uma escola municipal de Alagoa Grande. Miguel tem nome de anjo. Para a família, ele é a prova de um milagre vivo.

Éricka contou que durante a gestação teve convulsões, o que levou o médico que a atendia achar que o bebê tão esperado não sobreviveria. Mas ela perseverou e chegou até a fugir de um parto prematuro.

O menino e a avó têm alguns problemas de saúde em comum. Ambos sofrem com cardiopatias e diabetes. Mesmo com toda fragilidade, difícil mesmo para “Vó Lindinha” é conter a emoção ao falar do neto caçula.

Quando soube dos planos do neto, ela passou mal e foi impossível não deixar que as lágrimas rolassem. Para ela, não existem palavras para explicar o gesto da criança.

Fonte da matéria: G1